Carreira em inovação no Brasil: expectativas reais vs. romantização
- Gabriel Borba

- há 20 horas
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Carreira em inovação no Brasil: expectativas reais vs. romantização
Eu trabalho com inovação há alguns anos, como consultor, mentor e palestrante, se tem uma coisa que aprendi nesse caminho, é que existe uma diferença gritante entre o que se vende sobre inovação e o que, de fato, acontece na prática.
A romantização da inovação no Brasil ainda é forte.
Fala-se muito sobre criatividade, disrupção, startups unicórnio e ideias brilhantes. Parece um ambiente onde tudo é dinâmico, inspirador e, principalmente, rápido. Mas a realidade é outra. Inovação, no dia a dia, é processo. É estrutura. É repetição. E, muitas vezes, é frustração.
Grande parte das empresas brasileiras ainda estão nos estágios iniciais de maturidade em inovação. Segundo diferentes estudos de mercado, mais de 70% das empresas no país não possuem processos estruturados para inovação contínua. Ou seja: antes de pensar em “disruptar”, ainda estamos tentando organizar o básico.
E isso muda completamente o jogo para quem quer construir carreira nessa área.
Se você entrar em inovação esperando trabalhar apenas com ideias criativas, vai se frustrar. Porque, na prática, você vai lidar com:
Resistência cultural
Dificuldade de priorização
Falta de recursos
Conflitos entre áreas
e, muitas vezes, a necessidade de provar valor o tempo todo
Inovar dentro de uma empresa tradicional não é glamour. É influência, negociação e consistência.
Ao longo da minha jornada, atuando com indústrias, entidades e ecossistemas de inovação, percebi que o verdadeiro diferencial não está em ter ideias, está em fazer acontecer dentro do contexto real. E isso exige uma combinação que pouca gente fala: visão estratégica + capacidade de execução + leitura de cenário.
Outro ponto pouco discutido: inovação no Brasil ainda não é uma carreira linear. Diferente de áreas mais consolidadas, não existe um caminho claro. Muitas vezes, você constrói sua trajetória navegando entre projetos, aprendendo na prática e conectando experiências.
E isso não é ruim, mas exige maturidade.
A provocação que eu deixo é simples:
Você quer trabalhar com inovação… ou com a ideia de inovação?
Porque existe uma diferença enorme entre os dois.
A ideia é leve, inspiradora e vendável.
A prática é densa, complexa e, muitas vezes, invisível.
Mas é na prática que as coisas realmente acontecem.
Se você está construindo uma carreira em inovação no Brasil, minha recomendação é clara:
menos encantamento com o discurso e mais conexão com a realidade.
Entenda o contexto, respeite o estágio das organizações e desenvolva a habilidade de gerar resultado com o que existe, não apenas com o cenário ideal.
No fim do dia, inovação não é sobre parecer inovador. É sobre gerar transformação real.
E isso, definitivamente, não é romantizado.

Gabriel Borba
Performance / Gestão
@gabrielborbaneto




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