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Carreira em inovação no Brasil: expectativas reais vs. romantização


Carreira em inovação no Brasil: expectativas reais vs. romantização


Eu trabalho com inovação há alguns anos, como consultor, mentor e palestrante, se tem uma coisa que aprendi nesse caminho, é que existe uma diferença gritante entre o que se vende sobre inovação e o que, de fato, acontece na prática.


A romantização da inovação no Brasil ainda é forte.

Fala-se muito sobre criatividade, disrupção, startups unicórnio e ideias brilhantes. Parece um ambiente onde tudo é dinâmico, inspirador e, principalmente, rápido. Mas a realidade é outra. Inovação, no dia a dia, é processo. É estrutura. É repetição. E, muitas vezes, é frustração.


Grande parte das empresas brasileiras ainda estão nos estágios iniciais de maturidade em inovação. Segundo diferentes estudos de mercado, mais de 70% das empresas no país não possuem processos estruturados para inovação contínua. Ou seja: antes de pensar em “disruptar”, ainda estamos tentando organizar o básico.


E isso muda completamente o jogo para quem quer construir carreira nessa área.


Se você entrar em inovação esperando trabalhar apenas com ideias criativas, vai se frustrar. Porque, na prática, você vai lidar com:


  • Resistência cultural


  • Dificuldade de priorização


  • Falta de recursos


  • Conflitos entre áreas


e, muitas vezes, a necessidade de provar valor o tempo todo


Inovar dentro de uma empresa tradicional não é glamour. É influência, negociação e consistência.

Ao longo da minha jornada, atuando com indústrias, entidades e ecossistemas de inovação, percebi que o verdadeiro diferencial não está em ter ideias, está em fazer acontecer dentro do contexto real. E isso exige uma combinação que pouca gente fala: visão estratégica + capacidade de execução + leitura de cenário.


Outro ponto pouco discutido: inovação no Brasil ainda não é uma carreira linear. Diferente de áreas mais consolidadas, não existe um caminho claro. Muitas vezes, você constrói sua trajetória navegando entre projetos, aprendendo na prática e conectando experiências.


E isso não é ruim, mas exige maturidade.


A provocação que eu deixo é simples:

Você quer trabalhar com inovação… ou com a ideia de inovação?


Porque existe uma diferença enorme entre os dois.


A ideia é leve, inspiradora e vendável.

A prática é densa, complexa e, muitas vezes, invisível.


Mas é na prática que as coisas realmente acontecem.


Se você está construindo uma carreira em inovação no Brasil, minha recomendação é clara:

menos encantamento com o discurso e mais conexão com a realidade.


Entenda o contexto, respeite o estágio das organizações e desenvolva a habilidade de gerar resultado com o que existe, não apenas com o cenário ideal.


No fim do dia, inovação não é sobre parecer inovador. É sobre gerar transformação real.

E isso, definitivamente, não é romantizado.




Gabriel Borba

Performance / Gestão

@gabrielborbaneto

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